RESROCKET, ou o que a Internet pode fazer pela música…

copia-de-cantonVamos fazer uma viagem ao começo da Internet. Ela chegou ao Brasil em 1996, e naqueles tempos já se esboçava um sistema de “improvisos online”, usando MIDI. Os usuários tinham “salas de improvisação”, em vez de salas de chat, e tocavam ao vivo uns com os outros, de todos os cantos do planeta. O sistema teve fim triste – como muitas ideias boas – e no texto a seguir está a história do RESROCKET, que continua até hoje de forma diferente. Este é um exemplo de como a grande rede mundial ainda tem muito a ser explorada, além dos cursos online, que são apenas o começo de uma interação que pode ser muito maior.

Em novembro de 1994 o compositor, produtor e músico da banda Londonbeat Willy Henshall, e Tim Bran, engenheiro, produtor e músico da banda Dread Zone iniciaram o Res Rocket Surfer Project, que visava a possiblidade de músicos tocarem online e simultaneamente usando um servidor de FTP e emails. Começaram postando mensagens e arquivos de som em um BBS – Bulletin Board System – pequena rede de usuários precursora da Internet – e em seguida em um site no oeste de Londres. Pessoas do mundo todo ficavam atentas e trocavam arquivos de som. Vale lembrar que a Internet só chegou ao Brasil em 1996.

Em janeiro de 1995 a Res Rocket já tinha 600 membros, e sua mailing list era uma “coleção de curiosidades bem humoradas, enquanto as colaborações no site foram crescendo e ficando mais focadas”, segundo Henshall. Democraticamente, o projeto foi rebatizado com o nome votado entre uma lista de 10 sugestões: Res Rocket. Em abril, dois ingleses se juntaram a Canton Becker (foto deste texto) e Matt Moller, da Universidade de Chicago, que criaram um ambiente virtual que possibilitava ações multiusuários em tempo real: um “MIDI-MOO”, que seria chamado, ainda em sua versão Beta, de DRGN – Distributed Realtime Groove Network.

Em maio de 1995 construíram o Res Rocket Surfer Website, comissionados pela Netmare, que testou o DRGN com membros de bandas, o que deu destaque internacional ao projeto, que ganhou o título de “Cool Site of the Day”, da Netscape, com 150 mil hits em 24 horas. O software fora lançado duas semanas antes no Intel New Music Festival. Por módicos US$ 14.95 mensais, usuários podiam participar escolhendo entre estúdios de gravação públicos, sessões de improviso ou chats com o tema música. Para tocar, os músicos precisavam usar instrumentos MIDI, e cada um, representado por um avatar, podiam tocar em tempo real, ou trabalhar sua parte para mixar depois.

Em agosto de 1997 a versão oficial do DRGN estava disponível, e aos fundadores se juntou Paul Allen, dando qualidade profissional às gravações. Em dezembro de 1998 o software ganhou a versão 1.4 para Windows e a versão 1.2.1 para Macintosh. Ambas suportavam MIDI Import e Export, tornando possível trabalhar com os arquivos online e offline, mais estabilidade, implementações HTML (na versão Windows), extinção de vários bugs incômodos e um comunicador para diálogos entre os participantes. Em março de 1999 o projeto foi usado para gravar um cover da canção Them Belly Full, de Bob Marley, diante de 55 milhões de espectadores em uma hora.

A canção serviu ao evento de caridade War Child, com as participações de Sinead O’Connor no vocal em Londres, Thomas Dolby nos teclados em São Francisco, e vocais de Lucky Dube na África do Sul. O evento foi gravado ao vivo pela BBC TV, e contou ainda com músicos de New Orleans, Los Angeles e Nova Iorque, e a venda da gravação se deu só pela Internet, com a renda para o War Child. A Yesmate.com e a Magex lançaram um CD gratuito com a gravação, com bônus em MP3 da comunidade de artistas Yesmamma, produtores e DJs, e rendeu 50 mil cópias segundo a edição de julho de 2000 da UK DJ Magazine. A Magex cobrou US$ 1.50 de doação e continha 6 horas e 30 minutos de material.

Em dezembro de 1999 foi lançado o RocketPower, com o qual as pessoas podiam ter seu próprio estúdio online na rede. Os grandes desenvolvedores de DAWs da época – Steinberg e Emagic – desenvolveram novas versões que possibilitavam as usuários produzir áudio via Internet. Versões Beta do novo RocketPower foram entregues a Beta testers, que tinham acesso aos estúdios na Internet. à Rocket Network Pro e upgrades das novidades. Em abril de 2000 começou a usar o Rocket Power como Cubase VST. Em agosto de 2000 o projeto foi comprado pela Digidesign/Avid, que o engavetou em março de 2003. Confira aqui exemplos do que era feito.

As últimas palavras de Canton:

“I left Rocket in August 2000, when it simply became to big and corporate for my tastes (and when I couldn’t make much of a difference anymore in the face of marketing-driven development). They are so many cool things that ought to be made, but there’s not enough time to make them all by yourself. But when you get the wrong folks involved to help, the dream gets spoiled…”

Tecla SAP: “Saí da Rocket em agosto de 2000, quando o projeto ficou grande demais e corporativo demais para o meu gosto (e quando eu não fazia mais muita diferença diante do desenvolvimento dado pela direção de marketing). Havia muitas coisas legais que poderiam ser feitas, mas não havia tempo suficiente para fazer tudo sozinho. Mas quando você tem as pessoas erradas envolvidas para ajudar, o sonho vai pro saco…”

Foram 65 mil usuários improvisando, compondo, arranjando, gravando e distribuindo música online. O sonho acabou com a contaminação do projeto pelo poderio econômico. Sites de solidariedade reunindo ex usuários, lembranças e gravações das sessões realizadas em tempo real foram criados, como o Goodbye and Thank You For The Fish, Rocketears, e finalmente em maio de 2004 nasceu o (ainda) vivo http://jamwith.us.

Tipos de Microfones

Microfones – Classificações

Assim como o alto-falante transforma energia elétrica em energia acústica, o microfone transforma ao inverso a energia acústica – o som – em energia elétrica, o que se chama TRANSDUÇÃO.

Tipos de Transdutores

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Mic Dinâmico

Uma bobina – formada por um fio condutor de eletricidade em espirais – atravessa um campo magnético várias vezes produzindo uma tensão, o que induz no fio uma corrente elétrica. É o mesmo princípio do alto-falante, mudando apenas o sentido da transdução, que no alto-falante é de dentro da bobina para o cone, e no microfone de fora para a bobina.

Uma membrana leve vibra com o som e transmite esta vibração à bobina que é móvel, sendo o conjunto da bobina com a membrana construído sob suspensão. Quando o som atinge a membrana o conjunto entra em movimento de acordo com as ondas sonoras que recebe, produzindo uma corrente elétrica proporcional.

Um mic dinâmico é chamado de “duro” quando elimina os sons mais fracos e captando os mais fortes. Há mics dinâmicos mais ou menos duros. É comum nos dinâmicos a chamada saturação mecânica, que é como a suspensão de um carro que absorve pequenos buracos na rua mais não funciona com buracos grandes.

Quando o conjunto bobina + membrana é muito exigido, a membrana – ou diafragma – não acompanha a variação da pressão do som, e o sinal elétrico criado é distorcido, o que pode ser amenizado mudando a distância do mic em relação à fonte, Este tipo de microfone não precisa de pilhas nem fontes de alimentação.

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Mic de Fita

A saturação mecânica levou à invenção do mic de fita, onde o conjunto bobina + diafragma é substituído por uma fita de metal ou material sintético com metal aplicado, suspensa pelas pontas dentro de um ímã. Quando o som atinge a fita, ela produz uma tensão elétrica baixa, que passa por um transformador para chegar a um sinal elétrico utilizável.

A delicadeza da fita demandava a princípio cuidados para não aplicar uma pressão sonora que a danificasse. Mas com a chegada de novos materiais, hoje temos microfones de fita mais resistentes e de tamanho menor, permitindo seu uso sem maiores cuidados. São microfones muito menos “duros”do que os dinâmicos.

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Mic a Condensador

Usa outro tipo de transdução pode ser entendida comparando com a antiga brincadeira de de esfregar um pente em um tecido, e o pente pode depois atrair pedaços de papel. Quando esfregamos o pente, ele adquire uma carga elétrica estática. Cargas negativas e positivas se atraem, e por isso os pedaços de papel são atraídos pelo pente.

Esta carga adquirida é mantida, a menos que seja descarregada pelo condensador – ou capacitor – o que é conseguido as placas do dispositivo, se permitindo descarregar ao passar a energia estática de uma placa à outra, que seria o que atrai os papéis ao pente. A carga de um capacitor é o produto da tensão aplicada pela capacidade do capacitor reter as cargas, daí o nome.

Esta capacidade aumenta ou diminui de acordo com a distância entre as 2 placas do dispositivo. Se uma é mantida carregada a tensão permanece. Se a mantivermos e mudarmos a distância entre as placas a tensão vai variar conforme a sua distância. Com uma placa fixa e outra móvel, esta assume o papel do diafragma.

Quando um som atinge a placa móvel, faz variar a distância em relação à fixa. Se a distância varia, a tensão também varia. Basta usar uma maneira eletrônica que capte a variação da tensão sem tirar a corrente das placas, e teremos sinais de áudio. Estas maneiras podem ser transistores e válvulas, que amplificam esta variação, como o transformador do mic de fita.

Para carregar o capacitor é preciso uma tensão, o conhecido Phanton Power, ou pode ser aplicada ao dispositivo capacitor quando é fabricado, e neste caso temos um tipo de microfone a condensador muitas vezes erradamente classificados em outra categoria, como de Eletreto, que são também capacitores que precisam de pouca energia, geralmente uma pilha.

Os mics a condensador são “macios” e captam sons mais sutis, com detalhes de cada timbre, natural, às vezes melhor do que os microfones de fita. Têm pouca saturação mecânica, mas podem ter problemas com a saturação elétrica, que precisa ser proporcional vinda dos amplificadores – transistores ou válvulas – do capacitor.

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Mic Piezoelétrico

Materiais como cristais e cerâmicas – e hoje em dia muitos outros – se ligados a qualquer tipo de membrana podem se tornar transdutores. São os antigos “cristais” usados para eletrificar violões antigamente, e que hoje tiveram forte desenvolvimento.

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Mic a Carvão

Antigamente usados em telefones, eram recipientes com grãos de carbono puro, que permitiam passar uma corrente elétrica através deles, e uma tampa funcionava como membrana. Quando o som atinge a membrana, comprimem e descomprimem aos grãos, variado a tensão.

Tipos de Diretividade (quanto ao Diagrama)

OMNIDIRECIONAIS

Capta em todas as direções. Se a fonte do som está na frente do microfone, a pressão empurra a membrana para dentro, produzindo saída elétrica positiva. Se a fonte estiver em qualquer outra posição, mesmo assim a pressão na carcaça do mic também empurra a membrana para dentro, pois o corpo do microfone é pequeno em relação ao comprimento da onda, salvo raras exceções.

Diagrama Polar (círculo)

UNIDIRECIONAIS

Diagrama Cardióide

Na parte traseira ou lateral traseira deste tipo de microfone há uma entrada secundária de som, fazendo com que a fonte sonora que estiver à frente do mic gere saída positiva empurrando a membrana para dentro. Quando a fonte estiver do lado, algum som entra pela abertura secundária empurrando a membrana para fora, produzindo um cancelamento parcial.

Assim este tipo de mic terá menos ganho se a fonte estiver na lateral. E se a fonte estiver na traseira do mic, e a entrada da abertura secundária for construída para ser igual à da frente, entrando a mesma pressão pela frente e por trás, por trás o mic terá ganho mínimo ou nenhum, favorecendo apenas a fonte que estiver à frente.

Diagrama Supercardióide

Quanto maior a abertura secundária traseira maior o cancelamento das fontes que vierem por trás dele, fazendo com que o mic seja mais direcional do que os cardióides.

Hipercardióide

A abertura secundária é maior ainda, o som que vem de trás entra com maior intensidade do que pela abertura frontal, produzindo uma pressão positiva vinda de trás, que terá uma tensão de saída negativa, ou seja, com a fase invertida.

BIDIRECIONAL  (ou Figura de 8)

Se a abertura de trás for igual à abertura da frente, o mic terá duas entradas iguais, captando igualmente o som que vem de trás como o que vem da frente. A parte de trás, mesmo captando fora de fase, capta perfeitamente. Pode ser usado com uma fonte atrás e outra na frente, ou para captação estéreo (técnica M-S).

Tabela de Diagramas:

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Jardim Elétrico na imprensa: revista Sound On Sound

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Na sua edição 48, a revista SoundOnSound, edição brasileira, publicou uma entrevista com Sérgio Dieter (foto), diretor da Gravadora & Produtora Jardim Elétrico, na seção Músico em Pauta, falando sobre as atividades do estúdio. Confiram:

“No alto de uma montanha que domina uma grande cidade está o quartel-general de um homem que devotou toda sua vida ao combate do mal…” Esta era a chamada para um seriado antigo de TV, Jet Jackson, o Capitão Meteoro! Pois podemos agora mudar um pouco o texto para: “No alto de um edifício que domina uma linda cidade da serra gaúcha está o quartel- general de um pessoal que devota toda sua vida para ao combate do que soa mal…” Esse é o lema do Jardim Elétrico, gravadora e produtora de Farroupilha/
RS, onde Pepeu Gomes está gravando um novo DVD, localizada na cobertura de um prédio-garagem no centro da cidade. Sérgio Dieter Filho, um dos homens que lá combate o que soa mal dá mais detalhes para o Músico em Pauta.

Músico em Pauta: Desde 2008 vocês estão trabalhando na serra gaúcha com equipamento à altura de estúdios do famigerado eixo Rio-SP. Como tem sido a procura dos serviços por parte de artistas e bandas de fora do estado do Rio Grande do Sul, em porcentagem relativa a artistas e bandas do RS e do sul do Brasil? 

Sérgio: A porcentagem é bem baixa na verdade, os únicos projetos que gravamos de fora do RS, foi a incrível banda The Gallo Power, de Goiânia, um rock progressivo de primeiríssima, que está sendo comercializado pela Monstro Records, estamos trabalhando em um projeto com o Pepeu Gomes também, e teve a gravação de uma banda argentina instrumental de Blues excelente.  Ambos os discos foram gravados
ao vivo, o que nós adoramos. O que mudou no estúdio a partir de 2008, quando viemos para a nova sala, com o equipamento novo e muito espaço, foi a procura de músicos e bandas da capital, e também outras cidades da região.

Músico em Pauta: Como foi o “parto” do Jardim Elétrico? Quem teve a ideia e como se deu o “trabalho de parto”, pessoas e fatos? 

Sérgio: Foi como um parto numa banheira. Eu havia saído do ramo do turismo, pois a internet estava extinguindo as agências de turismo, e resolví entrar para outro ramo que estava beirando a extinção, o mercado fonográfico…. Eu já conhecia o Marcos Mangoni, que tinha o Studio 3 na época, e o convidei pra trabalhar comigo no Jardim Elétrico, aí aluguei a parte dos fundos da casa de outro amigo, o Andy, onde trabalhamos de 2002 a 2008, quando mudamos para a sala nova. Já passaram outras pessoas por aquí nesses anos, mas o Marcos, que é integrante original, continua desde o nascimento. Temos o Gabriel “Champignon” Pimenta também, que é meu amigo de infância, mas ele está em Nova Iorque nesse momento, cursando a New York Film Academy, creio que no final do ano ele esteja de volta, eu espero…!

Músico em Pauta: Dentre os diversos serviços oferecidos – gravação, mixagem, demos, DVDs, jingles, spots, ensaios etc. – quais têm sido os mais procurados? 

Sérgio: O de gravação de discos e demos, principalmente.

Músico em Pauta: Os artistas e bandas que passaram pelo Jardim Elétrico têm em mente alcançar públicos fora do sul do Brasil, ou preferem trabalhar pensando no público vizinho? Cite exemplos. 

Sérgio: Tem sim, e inclusive fora do Brasil, esse é um assunto que sempre abordo com os clientes, a importância do trabalho de divulgação do material, já que hoje em dia existem empresas que oferecem esses serviços, como a Apis 3 do meu amigo Breno Kruse por exemplo, isso dá resultado, mesmo com um orçamento reduzido é possível fazer um trabalho bem legal de divulgação do disco e do artista. Como não existe uma “cena” muito organizada aquí na Serra, os artistas não sabem muito bem como trabalhar o seu material, mas tem bandas excelentes, por isso sempre bato nessa tecla da divulgação. E, como o músico ou banda independente de hoje em dia tem que exercer todas as funções extra-musicais, antes exercidas pelas gravadoras, fica mais difícil o trabalho atingir notoriedade no resto do Brasil, e em regiões como a nossa, que possuem poucas casas voltadas ao Rock autoral, é de suma importância essa divugação, para poder conseguir bons shows em outras regiões do país. Estou falando de rock, é claro, pois a Gravadora está voltada para o rock, mas o estúdio é comercial, gravamos de tudo, mas nosso selo, que vai entrar no mercado nos próximos meses, será voltado ao rock, que está em baixa nesse momento no Brasil. Temos grandes talentos por aquí, temos o Oscar dos Reis, que é um acordeonista fantástico, que passeia entre música erudita, tango e outros estilos, tem também a Sinagoga Zen, que faz um rock progressivo venenoso, e estão pra lançar o primeiro disco, tem a Lady Zyon, que é uma cantora de Reggae excelente, com muita personalidade, também já gravado e em breve na iTunes e lojas por aí, entre outros.

Músico em Pauta: Como é feita a manutenção dos equipamentos, compras, assistência técnica, consultorias, atualizações e outras atividades do cotidiano do estúdio e gravadora? 

Sérgio: Temos muita sorte nesse aspecto, pra quem está longe do centro do país a manutenção de uma Euphonix, ou até mesmo de microfones normalmente seria mais complicada, mas temos nosso técnico, o Leandro Polla, que é um verdadeiro gênio, ele faz a manutenção do equipamento, e é o terceiro integrante original do Jardim, junto comigo e o Marcos, e conhece muito bem tudo por aquí, desde a rua, do poste de luz, na verdade ele parece conhecer tudo sobre eletrônica…. Temos o Gustavo Trubian também, que é um luthier e eletrônico auto-didata, que faz manutenção e constrói instrumentos e equipamentos para nós a muito tempo, e para toda a região também, o Pepeu tem uma guitarra dele inclusive. É como um milagre termos, aqui em Farroupilha, dois caras tão talentosos como esses. As compras são feitas na maioria dos casos fora do Brasil, já tenho alguns vendedores conhecidos nos Estados Unidos e Japão que nos enviam os equipamentos, tem algumas excessões é claro, compramos no Brasil também, na Visom no Rio de Janeiro e na Akustica Musical, aqui de Farroupilha, por exemplo.

Músico em Pauta: Quanto aos técnicos e pessoal especializado, também merecedores de “manutenção”, na forma de cursos e atualização de conhecimento, isto é feito procurando as poucas escolas do eixo Rio-SP, ou já se valendo dos recentes cursos disponíveis do sul, onde já há um movimento didático que promoveu até o aparecimento do primeiro curso de Engenharia Acústica do Brasil em Santa Maria? 

Sérgio: Já frequentamos cursos nas escolas do Rio e São Paulo, e agora estamos aproveitando os cursos que tem aparecido aqui no Sul, como no IGAP, por exemplo.

Músico em Pauta: O Jardim Elétrico tem planos para atrair artistas e bandas do sudeste e outras regiões do país para gravar em Farroupilha, ou a demanda atual preenche totalmente a capacidade de operação? 

Sérgio: Sempre tive esse objetivo, e já recebemos alguns clientes de fora do Rio Grande do Sul, o pessoal costuma elogiar muito a cidade, é um local muito agradável para se gravar um disco, principalmente pra quem é dos grandes centros e enfrenta toda a loucura do dia dia de uma grande cidade, e já temos parceiros hoteleiros e de restaurantes, tudo nos arredores do estúdio, no centro da cidade, onde há bares, lancheiras, cafés e tudo mais. A localização é excelente e o clima muito agradável.

Músico em Pauta: Com os privilégios de sua localização na cobertura de um edifício-garagem, bar, lounge, terraço, vista panorâmica etc., como estes itens extra-técnicos influenciam no clima de estúdio, produção e convivência no trabalho? 

Sérgio: Em todos os aspectos. Como nosso primeiro estúdio era muito pequeno, logo percebi essa necessidade, principalmente na gravação de um disco, onde a banda e produtor ficam muito tempo convivendo no estúdio, se estiver todo mundo empilhado na mesma sala, na técnica por exemplo, já prejudica o trabalho do produtor e acaba prejudicando o trabalho em sí. Acho fundamental em estúdio ter uma boa área de convivência, bar, sacada, um equipamento de DVD, toca discos e tudo que for viável pra entreter o pessoal e descontrair o ambiente de gravação, para aqueles que estiverem de folga em determinado momento, não precisem ficar dentro da técnica, deixando o produtor e engenheiro mais tranquilos para trabalhar. Claro que isso exige espaço, e quando há, deve ser usado com criatividade. Aqui temos 800 metros de área e 70% desse espaço está destinado ao entretenimento, e isso faz toda a diferença.

Músico em Pauta: Todo estúdio tem seus casos pitorescos e engraçados em sua história. Cite algum. 

Sérgio: Coisas engraçadas tem todos os dias, é uma das coisas legais de trabalhar em estúdio, a gente ri pra caramba! Mas um que me lembro agora, que é interessante, é quando os goianos da Gallo Power chegaram aquí em Farroupilha, e eles me ligaram pra dar uma carona a eles até o hotel, era um dos dias mais frios do ano, uns 4 negativos, eles me esperavam na rua, em frente a um Shopping, e quando vi os caras de bermuda e camiseta, todos abraçados, tentando evitar o congelamento a uma da manhã, soube na hora que eram eles.

Músico em Pauta: Finalizando, um conselho profissional para os leitores da SOS, que são um público bem específico não só de técnicos já experientes, mas de muitos estudantes e aprendizes de áudio, produção e gravação. 

Sérgio: Meu conselho é não seguir nenhum modismo ou tendência de mercado, ser original é sempre melhor, seja na produção, engenharia ou composição, é a melhor forma de ser notado.

Entrevista e redação: Saulo Wanderley