Jardim Elétrico deseja Feliz 2017 !

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Que o ano que se inicia seja cheio de arranjos, bounces, captações, demos, emulações, fades, grupos, hits, interfaces, jingles, kbps, logs, masters, networks, offsets, paths, quantizações, remixes, spots, takes, upgrades, vinhetas, waves, x-fades, youtubes e zero crossings!

Arturia lança plug-in gratuito do filtro do Moog

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A conhecida marca francesa Arturia avisa que está terminando amanhã, 28/12/2016 o prazo para quem queira receber gratuitamente o plug-in Mini V Filter, que emula o filtro usado no famoso sintetizador monofônico Moog dos anos 70. Os desenvolvedores da Arturia usaram sua tecnologia exclusiva TAE para replicar o comportamento e nuances dos componentes analógicos do filtro em hardware, como a filtragem em 24dB/oitava, e suas “respiração, gritos e apitos” como o original. Para obter o plug-in, acessem o link www.arturia.com/arturia-festive-gift

Jardim Elétrico com novos sons Spitfire Audio

Na última semana de 2016, o Jardim Elétrico já terá disponível mais uma biblioteca de sons, desta vez da Spitfire Audio, com sons de sopros de madeira. Os arquivos são muito importantes para a realização de projetos didáticos nos cursos intensivos de férias em 2017, nos cursos regulares e produções da gravadora.

Depois do lançamento das versões Spitfire Symphonic de sopros de metal e cordas, agora os sopros de madeira. São flautas, clarinetes, oboés e fagotes em suas diversas variações, que completam a timbragem de arranjos orquestrais, e que contribuem para os arranjos de música popular, não se limitando a tradicionais arranjos de quartetos de cordas.

Assista ao vídeo de demonstração da biblioteca, realizado com o mesma DAW – Digital Audio Workstation usada no Jardim Elétrico, o Logic Pro X:

Logic Pro X – Piano Reverso Parte I

Piano Reverso – I

Link para o vídeo

No curso de Logic Pro X, alguns procedimentos são feitos via vídeo. Nesta primeira parte, vamos criar um arquivo de áudio a partir de acordes MIDI, e usar alguns recursos do Logic.

Parte I

1. Criar uma série de 8 acordes em compasso 4/4, com semibreves, beat a uns 90. Usar o timbre Boesendorfer Grand Piano. Deixe 1 compasso de folga no início e coloque o Snap em Bar.

2. Clicar com botão direito na região MIDI criada, e escolher a opção Bound in Place com a seguinte configuração:

Destination: New Track

Source: Mute

Include Audio Tail in File

Include Audio Tail in Region

Include Volume/Pan Automation

3. Cortar a região criada no começo de cada acorde (use a ferramenta Scissors junto com a tecla Option para cortar todas de uma vez)

4. Dar 2 cliques para abrir o editor da região cortada, escolha o modo File -> Functions -> Reverse

5. Por padrão, a região original fica mutada ao escolher Bounce in Place. Selecione a região e a desmute com Control+M

6. Abra o Inspetor da região cortada, e aplique Fade IN com valor de 1.000 e Fade OUT com 100

7. Coloque o modo Snap desligado (Off)

8. Diminua cada região de reverse do fim para o início, e realinhe todas deixando o mesmo espaço diminuído no início

9. Coloque novamente o Snap em em Bar e escolha a opção Snap to Relative Value

10. Copie o primeiro acorde reverso, e o coloque antes do início da sequência

RESROCKET, ou o que a Internet pode fazer pela música…

copia-de-cantonVamos fazer uma viagem ao começo da Internet. Ela chegou ao Brasil em 1996, e naqueles tempos já se esboçava um sistema de “improvisos online”, usando MIDI. Os usuários tinham “salas de improvisação”, em vez de salas de chat, e tocavam ao vivo uns com os outros, de todos os cantos do planeta. O sistema teve fim triste – como muitas ideias boas – e no texto a seguir está a história do RESROCKET, que continua até hoje de forma diferente. Este é um exemplo de como a grande rede mundial ainda tem muito a ser explorada, além dos cursos online, que são apenas o começo de uma interação que pode ser muito maior.

Em novembro de 1994 o compositor, produtor e músico da banda Londonbeat Willy Henshall, e Tim Bran, engenheiro, produtor e músico da banda Dread Zone iniciaram o Res Rocket Surfer Project, que visava a possiblidade de músicos tocarem online e simultaneamente usando um servidor de FTP e emails. Começaram postando mensagens e arquivos de som em um BBS – Bulletin Board System – pequena rede de usuários precursora da Internet – e em seguida em um site no oeste de Londres. Pessoas do mundo todo ficavam atentas e trocavam arquivos de som. Vale lembrar que a Internet só chegou ao Brasil em 1996.

Em janeiro de 1995 a Res Rocket já tinha 600 membros, e sua mailing list era uma “coleção de curiosidades bem humoradas, enquanto as colaborações no site foram crescendo e ficando mais focadas”, segundo Henshall. Democraticamente, o projeto foi rebatizado com o nome votado entre uma lista de 10 sugestões: Res Rocket. Em abril, dois ingleses se juntaram a Canton Becker (foto deste texto) e Matt Moller, da Universidade de Chicago, que criaram um ambiente virtual que possibilitava ações multiusuários em tempo real: um “MIDI-MOO”, que seria chamado, ainda em sua versão Beta, de DRGN – Distributed Realtime Groove Network.

Em maio de 1995 construíram o Res Rocket Surfer Website, comissionados pela Netmare, que testou o DRGN com membros de bandas, o que deu destaque internacional ao projeto, que ganhou o título de “Cool Site of the Day”, da Netscape, com 150 mil hits em 24 horas. O software fora lançado duas semanas antes no Intel New Music Festival. Por módicos US$ 14.95 mensais, usuários podiam participar escolhendo entre estúdios de gravação públicos, sessões de improviso ou chats com o tema música. Para tocar, os músicos precisavam usar instrumentos MIDI, e cada um, representado por um avatar, podiam tocar em tempo real, ou trabalhar sua parte para mixar depois.

Em agosto de 1997 a versão oficial do DRGN estava disponível, e aos fundadores se juntou Paul Allen, dando qualidade profissional às gravações. Em dezembro de 1998 o software ganhou a versão 1.4 para Windows e a versão 1.2.1 para Macintosh. Ambas suportavam MIDI Import e Export, tornando possível trabalhar com os arquivos online e offline, mais estabilidade, implementações HTML (na versão Windows), extinção de vários bugs incômodos e um comunicador para diálogos entre os participantes. Em março de 1999 o projeto foi usado para gravar um cover da canção Them Belly Full, de Bob Marley, diante de 55 milhões de espectadores em uma hora.

A canção serviu ao evento de caridade War Child, com as participações de Sinead O’Connor no vocal em Londres, Thomas Dolby nos teclados em São Francisco, e vocais de Lucky Dube na África do Sul. O evento foi gravado ao vivo pela BBC TV, e contou ainda com músicos de New Orleans, Los Angeles e Nova Iorque, e a venda da gravação se deu só pela Internet, com a renda para o War Child. A Yesmate.com e a Magex lançaram um CD gratuito com a gravação, com bônus em MP3 da comunidade de artistas Yesmamma, produtores e DJs, e rendeu 50 mil cópias segundo a edição de julho de 2000 da UK DJ Magazine. A Magex cobrou US$ 1.50 de doação e continha 6 horas e 30 minutos de material.

Em dezembro de 1999 foi lançado o RocketPower, com o qual as pessoas podiam ter seu próprio estúdio online na rede. Os grandes desenvolvedores de DAWs da época – Steinberg e Emagic – desenvolveram novas versões que possibilitavam as usuários produzir áudio via Internet. Versões Beta do novo RocketPower foram entregues a Beta testers, que tinham acesso aos estúdios na Internet. à Rocket Network Pro e upgrades das novidades. Em abril de 2000 começou a usar o Rocket Power como Cubase VST. Em agosto de 2000 o projeto foi comprado pela Digidesign/Avid, que o engavetou em março de 2003. Confira aqui exemplos do que era feito.

As últimas palavras de Canton:

“I left Rocket in August 2000, when it simply became to big and corporate for my tastes (and when I couldn’t make much of a difference anymore in the face of marketing-driven development). They are so many cool things that ought to be made, but there’s not enough time to make them all by yourself. But when you get the wrong folks involved to help, the dream gets spoiled…”

Tecla SAP: “Saí da Rocket em agosto de 2000, quando o projeto ficou grande demais e corporativo demais para o meu gosto (e quando eu não fazia mais muita diferença diante do desenvolvimento dado pela direção de marketing). Havia muitas coisas legais que poderiam ser feitas, mas não havia tempo suficiente para fazer tudo sozinho. Mas quando você tem as pessoas erradas envolvidas para ajudar, o sonho vai pro saco…”

Foram 65 mil usuários improvisando, compondo, arranjando, gravando e distribuindo música online. O sonho acabou com a contaminação do projeto pelo poderio econômico. Sites de solidariedade reunindo ex usuários, lembranças e gravações das sessões realizadas em tempo real foram criados, como o Goodbye and Thank You For The Fish, Rocketears, e finalmente em maio de 2004 nasceu o (ainda) vivo http://jamwith.us.